24 de dezembro de 2011
O real impossível
O amigo que lhe oferece seu cais
Apesar de este ser indigente, anacrónico e antigo,
Serve inteiramente para aqueles dois seres especiais.
Um benfeitor e um antigo mendigo
Juntos tornam os ensejos jamais iguais;
Tornam o Averno num jazigo;
Tornam as lixeiras em preclaros rosais;
Tornam os burgaus em espigo;
O árido em trigo;
A insignificância em algo mais;
E as fantasias tornam-se reais.
Jamais estes dias serão banais,
Eles não olham para o seu umbigo
Amparando os sem-abrigo
Sem lar devido à crise que conveliu o país.
Dário Andrade
14 de julho de 2011
Perfeição
O cabelo voava ao vento como se de uma andorinha se tratasse,
O belo contraste entre o negro do filamento e a esplêndida face alva.
Os lábios encontravam-se encarnados esbatendo um sorriso brilhante,
Os olhos irradiavam um brilho que demonstrava o quanto estava ditosa.
O rosado da camisola assentava-lhe na perfeição, realçando a sua colossal classe.
Os jeans azuis destacavam as suas irrepreensíveis formas, fazendo-a sentir calva
Aos olhos de quem contemplava a sua formosura estonteante.
Ela, tão bela mulher, sentia-se como se fosse uma soberba rosa.
E é esta linda diva, que me faz suspirar pela sua presença,
É ela que faz com que as palavras rimam novamente,
É ela a cura da minha doença,
É ela que me faz sorrir espontaneamente.
Ass: Dário Andrade
1 de maio de 2011
Ira
Fluindo pela tinta preta da esferográfica de metal.
Não a consigo ver no concreto muito menos no abstracto,
Como poderei combater algo que não alcanço?
Todas as folhas machucadas são a prova do falhanço,
Falhanço de não conseguir elaborar o meu auto - retrato.
Ela corre-me no sangue tornando-me cada vez mais mortal
Destruindo todos e quaisquer glóbulos.
A asfixia torna-se cada vez mais sufocante e dolorosa,
O oxigénio não circula e vejo tudo de forma pouco nítida.
Ela corrói-me por dentro como se fosse um ácido
Deixando cada vez mais inconsciente, sem forças para a combater.
Se era esse o seu objectivo, sinto-mo sem carácter,
Tento perceber se estou vivo mas nem sinto a carótida,
Vejo um reflexo em que luto para me manter lúcido
Mas acabo por perder a batalha, colocando na aura uma rosa.
Nota: aqui vos deixo o último texto que consegui escrever e possivelmente o último a ser redigido por mim. Também vos anuncio que o blog deixará de ter a minha colaboração. No entanto espero que Diamantina Ormonde continue na gestão deste espaço cibernético, não deixando morrer a tradição. Um muito obrigado a todos os que me apoiaram.
5 de abril de 2011
Estarei aqui...
Sabes onde me encontrar, estarei aqui ao teu lado.
Quando sentires que já não és amada
Saberás que estou aqui, mesmo aqui ao teu lado.
Cada passo dás, estarei por perto para te ajudar
Estarei aqui mesmo contigo, mesmo ao teu lado,
Quando pensares que ninguém te vai amparar,
Eu cá estarei para conseguires esquecer o passado.
Quando as lágrimas fluírem por esse airoso olhar,
Cá estarei para apanhá-las, estarei lá para te proteger.
Quando não conseguires respirar,
Estarei aqui para respirar por ti, para que não voltes a sofrer.
Quando não tiveres mais ninguém para desabafar
Estarei aqui junto a ti, irei-te ajudar a sorrir.
Quando tiveres feridas para sarar
Sabes que estarei aqui, para não te voltarem a ferir.
1 de março de 2011
Relincho
Tentando fugir daquela imposição. Relinchava
Para tentar salvar a sua náiade.
Vendo-a sofrer até ao último estertor.
O seu relincho propagava-se pelo vazio,
Como um buraco negro que destruia tudo o que se aproximava.
Lutava a todo o custo para acabar com aquela crueldade,
Tentando fazer com que sua potra não sentisse dor.
Libertou a sua famosa forma alada
Resurgindo no meio do crâneo, o chifre emblemático.
Pegassus, reencontrara-se novamente.
Escapando daquela jaula que o tornara violento.
Pegassus, destruiu a armadilha que vitimava a sua amada,
Libertou-a e correram juntos para longe do problemático
Destruindo assim todo o ódio existente,
22 de fevereiro de 2011
Emoções
Vagueio pelas memórias de um passado inesquecivel,
Sentindo todas as palavras, ouvindo todas as emoções.
Porque é que esses momentos nunca passaram de um sonho impossível?
Como irei esquecer estas dolorosas e tristes ilusões?
Tento reinventar tudo aquilo que senti, para me sentir melhor.
Mas o tempo vai passando, sem nunca te conseguir esquecer.
As memórias continuam a desvanecer
Nos sonhos que vou reinventado, gostando cada vez mais da dor.
Reinvento tudo com todo o tipo de mulher,
Tentando voltar a sentir todo aquele teu carinho.
Mas não consigo senti-lo, não te consigo esquecer,
Sei que te prometi que iria seguir o meu caminho,
Mas todas as nossas emoções foram quebradas?
Porque haveria essa promessa de se manter?
Porque haveria eu te querer esquecer?
Sabendo que todas as emoções estão ainda guardadas.1 de fevereiro de 2011
Utopia
Procurei nas entranhas do meu ser e nada descobri.
Consegui entender que era algo que me era desconhecido
Algo que me carecia na vida, algo que me é realmente querido.
Voltei a sentir uma respiração junto ao meu peito
Olhei novamente em arrabalde, mas nada espreitei.
Tive uma intuição que era algo próximo do perfeito,
Algo que perfazia a minha existência, algo que nunca antes amei.
Inquieto com tanto arcano, continuei acordado
Na esperança de encontrar aquilo que tanto procuro.
Mas nada apareceu na escuridão, nada apareceu vindo do passado,
Nada surgiu no meu deserto, nada apareceu vindo do futuro.
Quando realmente me apercebi da realidade, quando realmente acordei
Entendi que aquilo que sentira era mera alucinação,
Era algo que sempre quis ter, algo com que sempre sonhei.
Era uma utopia que tivera para adoçar a minha solidão.
24 de janeiro de 2011
Vazio
Mas a tinta teima em voar para o abstracto.
Olho novamente para estas linhas vazias
E continuo sem saber o que pintar neste retrato.
As palavras batem pé ao papel e os traços à tela.
Que mais posso eu fazer? Ela recusa-se a aparecer.
Queria tanto poder pintá-la bela,
Para que ninguém a conseguisse esquecer.
Mas ela teima em não querer ser pintada
Pois pensa que não a devem ver.
Teima em não querer ser caracterizada
Porque não quer que a venham a conhecer.
Esta enorme luta deixa-me cansado.
Não conseguir realizar o meu trabalho de poeta,
Não consegui descrever-me nem ser pintado
Acabando por deixar esta pobre folha incompleta.
11 de janeiro de 2011
Eterna saudade
Sob o meu espírito, o sangue derramado.
Abatido pelas lágrimas derramadas de dor,
Pelas lágrimas da despedida de ti, amor.
Em tempos um sábio afirmou:
"Se a dor existe, então o amor também existe,
Se sentes a dor na alma, o amor está presente."
Se duvidei que te amava, agora o coração confirmou.
As lágrimas voltam a cair sobre esta terra infértil
Fazendo novamente crescer a esperança.
A esperança de te reencontrar neste mundo estéril
No qual me perco e desprovido de confiança.
Revejo o teu sorriso que a fotografia espelhou,
Guardo-a pelas saudades presentes no coração.
No coração daquele que sempre te amou,
Daquele que espera, que o venhas tirar da solidão.
1 de janeiro de 2011
Always
Ouvindo o Jon Bon Jovi dizendo: "Esta é a música dos apaixonados".
Então ouviu-se: "This Romeo is bleeding but you can't see his blood
It's nothing but some feelings that this old dog kicked up."
Estas formosas palavras despertaram em nós um sentimento
Que à muito tinha sido criado. Criado pela força do amor, pela força da paixão.
Agarrei suavemente a tua cintura e exprimi tudo o que ditava o coração
Com um simples e puro contacto de lábios enquanto teu cabelo voava ao vento.
"And I...Will love you, babe, always", cantávamos numa voz com tons de doçura.
Trocando olhares cheios de brilho repletos pela vontade do eterno beijar.
Segurando a tua pequena e doce mão, perguntei-te com ternura:
"Será que dás uma hipótese a este Romeo para ele eternamente te amar?"
"My heart will always be yours! I will love you...always!"
Sussurrou-me junto ao ouvido, fazendo-me suspirar novamente pelos seus doces lábios.
Novamente houve a união dos lábios de ambos, ignorando todos os sentimentos frívolos.
Jurava-se promessas inocentes mas completamente verdadeiras
Que jamais sairão das nossas cabeças,
"I will love you, forever babe, always!"
Dedicado à pessoa mais importante neste mundo para mim. "You will remain in my heart forever"
13 de dezembro de 2010
A bela e o monstro (Goodbye for now)
Como se eles fossem o pecado mortal, tal como o de Eva e Adão.
Fugia a todas as caricias que Bela pretendia. Fazendo-a sofrer
Como um peixe que sofre fora de água, deixando-a à beira da solidão.
Monstro disse tímido:"Gosto muito de ti, mas isto nunca irá resultar,
Não te posso magoar.Desculpa, simplesmente não estava destinado."
Bela esforçando-se para conter as lágrimas, acenou levemente a cabeça, sem o olhar
Porque sabia que ao ver o rosto dele choraria, mas não queria fazer chorar seu amado.
Monstro tentando consolá-la sussurrou:"Sei que serás feliz, luta sempre pela felicidade,
Não desistas dela. Assim será melhor para ambos, Sê feliz e eu também o serei."
Envolvendo-se nos braços dela, sentido o seu choro, devido à sua tremenda crueldade.
Mas Bela ergueu a cabeça e murmurou-lhe:" Guardarei os momentos que contigo passei."
Monstro melancólico, esforçou-se por não libertar as lágrimas que o seu coração derramava,
Preferindo despedir-se com um leve sorriso, despedindo-se daquela que tanto adorava.
Assim termina a saga...
3 de dezembro de 2010
A Bela e o monstro (Primeiro Impulso)
Acariciando a sua macia mão como lençóis de algodão,
Monstro, sentia que não se iria controlar,
Presentia que era tudo mais que uma mera ilusão.
Esforçava-se para que aqueles pensamentos não se apoderassem da mente,
Lutando contra aquilo que sentia,lutando contra toda a atracção.
Não a conseguia tirar do pensamento, mas lutava afincadamente
Lutava contra algo que acreditava, contra algo que sentia o coração.
Os seus lábios esboçavam um leve brilho, devido ao gloss nos tons encarnados.
Bela encantada, desejava que o impulso acontecesse mas não sabia que fazer.
Surgiu o momento, lábios próximos e murmúrios sussurrados,
Mas subitamente Monstro afastou-se com medo de a fazer sofrer.
Bela viu aquele homem afastar-se de si, tentando perceber as razões para aquela reacção
E Monstro afastou-se destroçado, não percebia porque não conseguia demonstrar a sua paixão.
19 de novembro de 2010
A bela e o monstro (Primeiras palavras)
Disse-lhe ao ouvido de forma subtil:
"Ninguém devia sofrer, devíamos ter a nossa felicidade realizada!".
Bela olhou-o nos olhos e sorriu-lhe de forma gentil.
Monstro satisfeito por a ver sorrir novamente.
Esboçou um leve sorriso completado pela forma de seus lábios.
Bela olhando para aquele rapaz perguntou-lhe instintivamente:
"És feliz? Ou és daquelas pessoas que a tristeza, vos torna sombrios?"
"A minha felicidade é a ausência
De tristeza nas outras almas,
Se fores feliz, serei feliz. É essa a minha essência.".
Respondeu-lhe tranquilamente, característica típica das pessoas calmas.
Aquelas primeiras palavras despertaram novamente o sentimento de paixão,
Que há muito havia desaparecido. Como iria, o Monstro, combater seu coração?
16 de novembro de 2010
A bela e o monstro (O reecontro)
Contemplando ondas que se formavam e gaivotas que voavam.
Mas seu pensamento não cá estava, estava nos olhos que outrora brilhavam,
Nos olhos da deusa que tanto ambicionava beijar.
Reencontrou esses formosos olhos, lavados em límpidas lágrimas
Compostas por um brilho cristalino, compostas pelo reflexo da sua dor.
"Porque choraria Bela?" Interrogava-se o monstro sobre seu amor.
Monstro não sabia o porquê delas, mas sabia que eram verdadeiras.
Enquanto Bela procurava conforto no oceano, Monstro não sabia como agir.
Tentando achar a solução, tentando descobrir como reaver aquele sorriso.
Mas Bela chorava ainda mais, inconsolável desejando deste mundo partir.
Partir para o lugar onde não havia sofrimento, partir para o seu paraíso.
Como vou eu, o Monstro, conseguir consolar aquela bela mulher?
Monstro tentava achar a solução, mas sofria pelos olhos encharcados que estava a ver.
7 de novembro de 2010
A bela e o monstro (O ínicio)
E eu o monstro mascarado de homem de quem toda a multidão se afasta.
Porque é que o meu afago não serve? Será que somente amor não basta?
Só queria conseguir contemplar-te e dizer-te o quão te amava.
Mas seus sombrios cabelos ao vento, volvem-na ainda mais bela,
Os reflexos derivados dos seus olhos castanhos, exibem-me o olhar de realeza.
A luz incide sobre a sua pele frígida e pálida, e aí noto a sua infindável beleza.
Perante tanta virtude, não encontro defeitos. Se a perfeição existe então estou diante dela.
Como conseguirei conquistar algo tão primoroso?
Especialmente eu!? Monstro apaixonado, que não consegue expressar
Aquilo que me corrói a alma. O sentimento derivado do verbo amar.
Amo-a, mas não passará disso. Ela nunca considerá um ser monstruoso.
Como conseguirei conquistar a confiança , a amizade e o amor dela?
Sendo eu um horrível monstro e ela uma deusa incrivelmente bela!
4 de novembro de 2010
Demónios
Como demónios das trevas que me tentam hipnotizar.
Não me deixam seguir a utopia do meu viver
Impedindo que solte a criatividade enquanto estou a sonhar.
Porque habitam dentro de mim, demónios?
Porque me assombram o espírito?
Será por todo o mal que provoquei? Porque são tão frios?
Seres da minha imaginação? Não! Sei que não são um mito.
A única forma de expressão que possuo são estes versos,
Prosseguidos pela mágoa profunda de não possuir liberdade.
Perseguidos pelos demónios que enfadem todos os meus medos
Tentando desfazer os meus sonhos, pretendendo destruir-me a liberdade.
8 de outubro de 2010
Emaranhado
Ela desenvolve-se acabando por originar um emaranhado.
Percorro esse emaranhado da única forma que sei, sozinho
Sem ter a quem recorrer, quando caio e fico magoado.
Caio constantemente nessa armadilha chamada amor,
Estimulado por um sentimento íntimo e delicado.
Sentimento que me provoca enorme dor,
Sentimento que faz com que me sinta cada vez mais magoado.
Sentimento que não consigo explicar através de palavras,
É tão difícil defini-lo como o conseguir ultrapassar.
Mas luto todos os dias para que ele não passe de palavras,
Palavras que não me irão afectar nem abalar.
Continuarei a lutar por tudo aquilo que tenho acreditado.
Continuarei a seguir o meu caminho só que sem emaranhado.
Continuarei…
Prometo que continuarei!
1 de outubro de 2010
Rouge 5
Tentando achar no seu par a complementaridade que faltava na vida.
Os lábios tocavam-se mutuamente, ouvindo-se nos sussurros o quão eles se amavam,
Murmurava-se desejos e satisfações, suspirava-se como essa pessoa era-lhe querida.
Entre gemidos ouvia-se a melodia mais bela, a melodia chamada amor,
Entre queixumes soltava-se uma energia, energia que aliada ao prazer
Tornava aquele momento tão especial, num momento de enorme calor,
Momento que se tornava cada vez mais intenso, momento de eterno querer.
Cada segundo que passava mais forte era o seu amor, mais forte era a afinidade,
De tal forma que a dor daquele acto não se citava. Era mais do que uma prova de paixão.
Toda aquela cópula, tornava-se segundo após segundo num acto do sentimento da verdade,
Provando ao seu parceiro que jamais o deixará só, que jamais sentirá solidão.
Acabado aquele momento, os físicos voltaram-se a trajar mas a chama não morreu.
Parecia que tudo tinha sido tão surreal, era aquele o momento que faltava nas suas vidas,
Parecia que jamais passariam um momento como aquele, mas o desejo permaneceu.
O desejo permaneceu, e assim, pelo seu amor as suas almas permaneceram despidas.
5 de setembro de 2010
Sinto-me oco!
Estava eu soturno infiltrado nas linhas do bloco,
Arriscando descrever o que a minha alma sente,
Mas não consigo extrair palavras! Sinto-me oco!
Sinto-me como se já não importasse o presente.
Será que a minha alma volveu-se num livro vazio?
Terá ela perdido as palavras que lá dentro se achavam?
Sei agora que me tornei num vagabundo, sinto frio!
Sinto que a minha identidade foi-me extorquida
Por aqueles que exprimiam que me amavam.
Agora sei que nada posso fazer,
Agora sei que nunca será novamente encontrada.
Agora sei que ela não volta a sofrer!
Ass: Dário Andrade
1 de setembro de 2010
Imaterial
É ela que me provoca todo este sofrimento.
Foste tu quem não acreditou no nosso relacionamento
E isso deixa-me a pensar: “será que tudo nunca passou duma mentira”?
Foste tu quem não acreditou que o amor existia,
Foste tu quem decidiu tomar esta decisão.
Decisão que consigo respeitar por estares longe do meu coração,
Decisão que consigo respeitar por saber que o nosso amor não existia.
É duro, eu confesso! Oxalá que tivesses razão acerca do amor.
Mas o amor existe, pelo menos existe no meu ser.
É duro lutar contra algo que não se consegue ver,
É duro lutar contra esta incorpórea dor.
Mas o amor é um sentimento
E os sentimentos não se conseguem mirar.
São algo de imaterial, são algo como este sofrimento,
Que não consigo ocultar ou até mesmo curar.
Ass: Dário Andrade