1 de maio de 2011

Ira

É a ira a explodir nas entrelinhas destes vocábulos,
Fluindo pela tinta preta da esferográfica de metal.
Não a consigo ver no concreto muito menos no abstracto,
Como poderei combater algo que não alcanço?

Todas as folhas machucadas são a prova do falhanço,
Falhanço de não conseguir elaborar o meu auto - retrato.
Ela corre-me no sangue tornando-me cada vez mais mortal
Destruindo todos e quaisquer glóbulos.

A asfixia torna-se cada vez mais sufocante e dolorosa,
O oxigénio não circula e vejo tudo de forma pouco nítida.
Ela corrói-me por dentro como se fosse um ácido
Deixando cada vez mais inconsciente, sem forças para a combater.

Se era esse o seu objectivo, sinto-mo sem carácter,
Tento perceber se estou vivo mas nem sinto a carótida,
Vejo um reflexo em que luto para me manter lúcido
Mas acabo por perder a batalha, colocando na aura uma rosa.


Nota: aqui vos deixo o último texto que consegui escrever e possivelmente o último a ser redigido por mim. Também vos anuncio que o blog deixará de ter a minha colaboração. No entanto espero que Diamantina Ormonde continue na gestão deste espaço cibernético, não deixando morrer a tradição. Um muito obrigado a todos os que me apoiaram.

Ass: Dário Andrade